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Saturday, February 05, 2011

Livros - por Gabriel Novis Neves


Livros

Ganhei de pancada, quatro livros. Não daqueles que ficam em pé de tão gordinhos, segundo definição do jornalista Marcos Antonio Moreira. Não chegam também a ser raquíticos. São todos na medida certa, e possuem um ponto em comum: abordam a nossa cultura regional.
Estou lendo-os como receito: de seis em seis horas, até desaparecerem os sintomas - no caso, até a conclusão das leituras.
Um desses livros me emocionou muito. Tanto pela leitura fluídica e prazerosa, quanto pela rica história de vida do seu autor.
Sou um admirador dos vencedores transparentes, sem maquiagens ou plásticas. Daqueles que venceram por méritos pessoais Que souberam superar com coragem e determinação todos os percalços da vida. Que souberam, principalmente, vencer as barreiras do preconceito. Tenho verdadeira idiossincrasia aos heróis impostos.
O autor do livro “Sayonara - Brilhos e Escuridão” tem uma história ao inverso de Brilhos e Escuridão. Negro, baixo, pobre, músico da noite quando ainda adolescente, tinha tudo para ser mais um na multidão dos anônimos.
Mas o nosso escritor nasceu predestinado, disposto a provar que tudo é possível pela educação. Com que sacrifício estudava de dia, e trabalhava à noite! Na vida tudo passa, e esse tempo logo passou ao concluir o seu curso superior na nossa UFMT.
Em 1977 já era professor universitário - o músico que há dez anos era exclusivo do Sayonara.
Depois, foi depois.
Pós-graduação na UFRJ. Ocupou todos os cargos administrativos na sua área de conhecimento, e fechou esse ciclo como Diretor da Faculdade.
Músico por nascença, jornalista, empresário da noite e, agora, revelação como escritor e poeta.
Conhece como poucos a história da vida noturna de Cuiabá e seus principais atores.
Deixa-nos um legado importantíssimo. Narra de forma gostosa, a história da “Maior Boate do Centro-Oeste Brasileiro”.
É um orgulho para mim, poder ter participado da trajetória desse menino.
Parabéns meu guitarrista-escritor! O seu livro nos possibilitou resgatar da memória figuras queridas, frequentadoras assíduas da nossa saudade: o grande comandante Nazi e sua notável tripulação - Penha, China, Juarez, Bráulio. E muitos outros, dos quais não tenho mais notícias. “O livro do Neurozito Figueiredo Barbosa é um livro de consulta sobre um pedacinho de céu que existia em Cuiabá.”

Cuiabá, 27-01-2011
Gabriel Novis Neves

Thursday, February 03, 2011

Reviravolta - por Gabriel Novis Neves


Reviravolta

Nunca, jamais, na história deste país, assistimos a uma reviravolta política como a que aconteceu na última eleição para a presidência do Senado Federal.
Esperava-se, com os novos tempos, a derrota por unanimidade do senador com residência e Memorial em São Luis (capital do seu Estado natal) - mas eleito, repetidas vezes, pelo Amapá.
O mandato de senador do maranhense pelo Amapá é legal, mas imoral. Cheira a um estelionato eleitoral de grosso calibre.
Para se perpetuar no poder, essa foi a única saída, já que no seu Estado natal, segundo dizem, não se elege. Muitos pensam que ele mora no Memorial que leva o seu nome – homenagem dos seus amigos.
Todo o Brasil conhece essa anomalia, e se cala! E ainda encontro gente falando em futuro, quando o Brasil é um país do passado.
A eleição do Senado me fez lembrar um antigo personagem do Jô Soares, que há anos estava na UTI de um hospital em coma induzido. Um dia os médicos resolveram acordá-lo. Totalmente desorientado, fez algumas perguntas sobre acontecimentos de antes do seu coma. Diante das respostas, desesperado, solicita aos médicos para colocar o tubo novamente. Preferiu ficar entubado pelo resto da vida.
É mais ou menos assim que vejo essa eleição.
A sociedade tornou-se pragmática como os políticos. Começou a trabalhar com resultados materiais, enterrando o velho e obsoleto humanismo. A filosofia em vigor é: “Cada um por si e Deus por todos”.
Como educar os nossos jovens, que, passivos, a tudo assistem?
E adianta indignar-se diante de velhinhos infratores dos princípios republicanos?
Dos nossos senadores, tenho certeza que o vencedor rachou a nossa bancada com o seu discurso prometendo quebrar paradigmas.
Ah! Que situação!

Gabriel Novis Neves
01-02-2011

Monday, January 31, 2011

Equilíbrio - por Gabriel Novis Neves


Equilíbrio

O povo sempre escolheu, e bem, os seus representantes.
Pelé, e outros iluminados, é que vive gritando por aí que gente humilde não sabe votar.
Sabe sim - e muito bem.
Coloca os interesses nacionais acima dos seus interesses paroquiais.
O mato-grossense demonstrou toda a sua sabedoria nas recentes eleições, contrariando inclusive a pesquisa de boca de urna para senador, do instituto mais famoso do Brasil.
Deixou o comando do Governo Estadual como está, pois “quem pariu Mateus que o embale.”
O povo irá cobrar as promessas de campanha – que foram muitas. E aí?
Aí é que estamos todos condenados a ficar a ver navios.
Tudo porque o caixa do tesouro estadual já estourou faz tempo.
Lembram das promessas de obras, para a Copa do Mundo?
Pois é.
Para o Senado da República, o povo escolheu um representante rural e dos grotões, e outro das metrópoles – e este último vai dar trabalho!
A Câmara Federal permanecerá com os políticos tradicionais e experientes, e dependendo de confirmação, só um de primeiro mandato em Brasília.
No Legislativo Estadual a decisão popular foi de cautela, com uma tênue renovação.
Achei perfeita a votação do nosso eleitor com relação os nossos altos dirigentes.
Voto consciente e inteligente.
Escolheu o melhor candidato, para ser o seu novo presidente. O que está bom tem que continuar.
Será que depois de tanta sabedoria demonstrada ouviremos ainda alguém dizer que o povo não sabe votar?
Nós é que não sabemos interpretar o sentimento do eleitor, diante de tanta bobagem feita pelos nossos representantes.
De tanto apanhar dos que se auto-intitulam líderes, o povo resolveu não mais terceirizar o seu representante.
Estão mandando para Brasília, assembléias e governos estaduais, também os seus palhaços, jogadores de futebol, cantores e atores.
Assim funciona a democracia - ponto de equilíbrio da sociedade.

Gabriel Novis Neves (7.5+90)
04-10-2010